quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Domene viriatoi na National Geographic Portugal




Através do CISE - Centro de Interpretação da Serra da Estrela, tive conhecimento da descoberta deste escaravelho na Serra da Estrela, depois de contactos e reuniões com o Biológo José Conde percebi a imensa dificuldade em fotografar o Domene viriatoi, os seus 9mm e o seu ritmo acelerado foram adversidades que tive de vencer com muitas tentativa/erro na preparação das imagens no artigo. Em ambiente controlado, criamos uma réplica do habitat no Buraco da Moura e fiz diferentes imagens. Pela dificuldade de contraste, fiz algumas delas com fundo branco, realizadas com uma placa de acrílico e vários flashes a disparar ao mesmo tempo, de modo a eliminar todas as sombras, imagem em cima. Para este artigo usei a Tamron 90mm macro, com e sem uso de tubo de extensão, uso de vários flashes com softboxes, triggers e outros acessórios extra.
Tudo se passa no velho castinçal da Lapa dos Dinheiros, é aqui no Buraco da Moura, cavidade natural com aproximadamente 100 metros, uma das maiores grutas de granito do País, que vive o nosso novo “Viriato”, é um escaravelho perfeitamente adaptado a viver na escuridão e partilha o espaço com as várias espécies de morcegos que aqui vivem no tecto da cavidade, isto porque o seu principal alimento são justamente espécies de artrópodes, exemplo das larvas de dípteros, que são atraídos ao guano produzido pelos quirópteros. Foi aqui que o Domene viriatoi foi encontrado pela primeira vez em Portugal, pelos investigadores do CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela em conjunto com a equipa do cE3c (Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais), liderada pelo investigador Artur Serrano e que aqui desenvolveram um estudo para conhecer as espécies de coleópteros terrestres subterrâneos do Buraco da Moura. Este pequeno escaravelho têm 6 a 9 mm de tamanho, cor avermelhada, predador muito veloz e que apresenta adaptações particulares ao modo de vida subterrâneo, nomeadamente despigmentação do exosqueleto, ausência de asas, olhos compostos funcionais e a presença de apêndices alongados para mais facilmente detetar as suas potenciais presas e predadores. O Buraco da Moura, esconde ainda muitas surpresas na sua imensa escuridão, mas para já o Domene viriatoi já ficou conhecido à luz da ciência, descubra-o na edição de Janeiro da National Geographic Portugal.